A questão do lixo: um museu de velhas novidades

Por: Letícia Souza

Como o consumismo afeta a sociedade nas últimas décadas e como surgiu

Principal culpado de muitos problemas, o lixo é uma questão que está em pauta desde a Idade Média, com a Peste Negra, até os dias de hoje. Devido, principalmente, ao consumismo desenfreado da população mundial, a questão do lixo na sociedade de consumo ainda é algo a ser debatido, e por tempo indeterminado.

É da divulgação do American Way Of Life, com o fim da Segunda Guerra Mundial, que esse modo consumista e imediatista proliferou-se pelo mundo pós-guerra. Nesse contexto, vindo de um país em ascensão econômica, qual outro não iria acatar o estilo de vida de uma potência econômica emergente como os Estados Unidos?

Com a produção em massa de novas tecnologias, o público geral acaba sendo cada vez mais atraído pelas iscas das grandes empresas. A cada nova atualização, novo modelo, novo estilo, o consumidor se faz presente na porta da loja, admirando a vitrine, na espera de uma oportunidade para adquirir o aparelho. Apenas para jogá-lo fora poucos meses depois.

O descarte ocorre pela obsolescência do software, por causa de uma funcionalidade nova que “só você não tem”, e em seguida comprará o outro mais recente apenas para iniciar-se num ciclo de consumo e descarte.

De acordo com o relatório da Plataforma para Aceleração da Economia Circular (PACE) e da Coalização das Nações Unidas sobre Lixo Eletrônico de Davos, na Suíça, em janeiro deste ano, o valor anual de lixo eletrônico é superior a 62,5 bilhões de dólares. Consta também, nos relatórios que a humanidade demorou mais de 50 anos para produzir 4,15 bilhões de plástico, a mesma quantidade tendo sido produzida pelas indústrias nas duas últimas décadas, entre 2002 e 2015.

Na era da informação, é difícil pensar em alguém que nunca tenha ouvido falar da questão do lixo. Assim, não apenas esses, mas muito outros dos dados divulgados por pesquisas ao redor do planeta compõem nada mais que um museu repleto de velhas novidades. Há informações para lidar com a questão do lixo, então… Por quê não o fazemos?