Representantes das delegações ausentes cedem entrevista

Por: Isabela Dinis

O jornal The Guardian, instigado com o não comparecimento de algumas delegações no comitê AGNU, decidiu procurar algumas personalidades e delegados que fornecessem uma visão sobre os ideias das mesmas. Algumas das delegações que não compareceram foram: República Dominicana, Haiti e União Soviética.

A primeira entrevista foi com a dominicana Minerva Bernardino, ativista feminista que integrou a delegação da República Dominicana na Conferência de São Francisco.

The Guardian – Qual é sua expectativa para os tópicos que irão integrar a Declaração Universal dos Direitos?

Minerva Bernardino – Sinceramente, gostaria que todas as delegações presentes relembrassem da Conferência de São Francisco, na qual foi redigida a Carta das Nações Unidas. Embora eu tenha lutado para incluir menções sobre igualdade de gênero nesta carta, queria também que fosse dado  destaque aos direitos femininos, afinal, quatro mulheres a assinaram, porém somente duas delas, eu e a Bertha Lutz, defenderam estes direitos.

The Guardian – De que forma você espera que os ideais feministas estejam presentes na declaração?

Minerva Bernardino – Eu espero que, de alguma forma, ocorra um certo destaque a eles desta vez, afinal as mulheres já tiveram que lutar muito pelos seus direitos de voto, e até mesmo pelo seu direito de cursar o ensino superior, temas que poderiam estar presentes na declaração. Além disso, gostaria de destacar que seria bom discutir alguns pontos da Comissão Interamericana de Mulheres (EACW), que foi a minha própria agenda apresentada na Conferência de São Francisco.

O segundo entrevistado foi a delegação do Haiti, o qual sofreu, recentemente, invasão de tropas norte-americanas.

The Guardian – O que você espera que ocorra com seu país após a finalização da Declaração Universal dos Direitos Humanos?

Delegação do Haiti – Levando em consideração a recente invasão dos Norte Americanos, eu espero que com essa declaração essas invasões sejam evitadas e que nenhum país possa intervir no funcionamento interno do outro por livre e espontânea vontade, como os Estados Unidos da América fez com meu país, sendo que foi uma invasão para proteger interesses norte-americanos no Haiti.

The Guardian – Ainda há muitos julgamentos racistas a diversos seres humanos ao redor do mundo, qual é sua opinião sobre ter algum tópico voltado a este tema na declaração?

Delegação do Haiti – Considerando que temos como presidente Durmasais Estimé, um homem negro, tenho certeza que seria conveniente discutir sobre o tema e checar a viabilidade de adicioná-lo na declaração, afinal todos os seres humanos, independentemente de sua cor, deveriam estar claramente incluídos dentro da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Nosso último entrevistado é o Andrey Vyshinsky, da delegação da União Soviética, que mandou um de seus representantes, no primeiro dia de decisões, para esclarecer seus ideais sobre o que deveria estar incluso na declaração.

The Guardian – De forma geral, o que você tem como ideia para a Declaração Universal dos Direitos Humanos?

Andrey Vyshinsky – Destaco primordialmente que é necessário considerar um método de compensação, uma isonomia ao povo trabalhador, que sempre se manteve escravo do bloco capitalista e agora devem ter seus desejos e direitos realizados. Além disso, é importante destacar a importância da educação dentro da declaração, afinal, é o dever de cada país oferecer a mesma para sua população.

The Guardian – No cenário pós-guerra, o seu bloco é recém-formado, o que você espera que ocorra com o seu bloco após a formação da declaração?


Andrey Vyshinsky – Eu espero que meu bloco tenha uma expansão no campo de influência, com novos países integrando o bloco, como os recém-independentes da África, Oriente Médio, Ásia, centro e sul americanos. Dessa forma, acredito que iremos nos desenvolver cada vez mais e teremos um crescimento no campo internacional.