Como a pouca consideração pelo tema pode levar a mais discriminação

Por: Pietro Dal Monte

Delegados e mesa demonstram falta de empatia e preparo ao utilizar termos antiquados para se referir às pessoas com deficiência, tema geral do comitê

Mais aceito pela comunidade internacional, o termo “pessoa com deficiência” ou PCD foi aquele considerado mais adequado para se referir a cidadãos que possuem algum tipo de deficiência, seja ela física, visual, auditiva, mental ou múltipla. A forma de tratamento foi escolhida meticulosamente para trazer a dignificação do ser humano acometido por uma deficiência. Portanto, termos como Pessoas Deficientes, Pessoas Portadoras de Deficiência ou até Pessoas Especiais foram descartados por colocar à frente do indivíduo sua deficiência. Contudo, os delegados da 12a Conferência dos Estados Partes da Convenção sobre Direitos de Pessoas com Deficiência (CDPD) parecem não levar tais fatos em consideração.

Infelizmente, as delegações, mesmo com um ótimo e instrutivo estudo, demonstram falta de preparo e até mesmo consideração com o tema trabalhado. Com delegações se referindo constantemente às Pessoas Com Deficiência como deficientes e alguns dizendo até pessoas com necessidades especiais, o comitê não somente peca na escolha de palavras (a mesa não corrigiu os delegados mediante os termos utilizados nenhuma vez), mas também os presentes na conferência mantém-se constantemente discutindo temas fúteis ou que são de considerável irrelevância para com o motivo da Convenção.

O que mais impressiona é a não-proposital falta de empatia e leve hipocrisia em discutir um tema tão delicado como a educação das crianças e jovens com deficiência, mas trazendo à tona ideias como a da LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) sendo uma linguagem universal, a de que pessoas com deficiência física tem defasagem na aprendizagem (apenas pelo fato de terem condições de locomoção restritas) e a de que intérpretes de LIBRAS devam atuar voluntariamente em Faculdades Públicas recebendo (opcionalmente) auxílio financeiro ou outros benefícios escolhidos pelas instituições de ensino.

Com discrepância visível entre delegados bem preparados e bem situados ao tema e aqueles que, por exemplo, esqueceram seu Documento de Posicionamento Oficial ou que nas discussões preferem deixar as outras nações se pronunciarem por medo ou por argumentos fracos, o CDPD caminha a passos lentos enquanto analisam cláusulas das Propostas de Agenda de Trabalho que muitas vezes são itens já presentes nos direitos humanos ou nas constituições de cada uma das nações ali presentes. Entretanto, com uma mesa diretora que diversas vezes conversa e distrai o comitê, (atrapalhando a ordem e tempo de discurso, pedindo desculpas depois) os delegados se esforçam (nem sempre obtendo sucesso) para conseguir dizer tudo o que estudaram e leram rasamente sobre o tema.