NOTA DE ESCLARECIMENTO: Nações discutem sobre a “Marry-Your-Rapits laws”

Por: Victoria Russell

Esclarecimentos sobre as últimas notícias retratadas do comitê LEGAL

Os sofistas eram um grupo de pensadores pré-socráticos na Grécia Antiga que  acreditavam que a verdade é múltipla, relativa e mutável. Para os sofistas, tudo o que se refere à vida prática, como a religião, política, cultura, eram considerados fatores culturais. Logo, eles existem com a possibilidade de serem modificados. Dessa forma, colocavam as normas e hábitos em dúvida quanto à sua pertinência e legitimidade. Nisso se instaura a ideia de que uma única verdade é relativa.

Dito isso, venho por meio desse texto esclarecer o objetivo do questionamento feito na notícia anterior tratando do comitê LEGAL. Em referido artigo, cuja autoria é minha, eu trouxe a seguinte frase “[…] que colocam a vítima à mercê do estuprador por uma questão relativa como “honra” ”. Certos delegados sentiram-se atacados por tal descaso e alegaram ser um desrespeito a sua cultura, a cultura Oriental no quesito de “honra”. De forma alguma eu ou o jornal tivemos o objetivo de desrespeitar ou perpetuar e disseminar discursos xenófobos que trouxessem maus olhares para cultura oriental. O intuito também não foi de instigar desentendimentos entre as nações orientais e ocidentais.

A última notícia tratava do trágico ocorrido de Emily, uma garota de 14 anos que fora estuprada e em seguida espancada por seu pai por que se opôs ao casamento com a vítima. No artigo, adentra-se ao aspecto cultural que fundamenta essa lei que, independente do que se defenda, é uma lei que viola os direitos humanos e causa mais danos do que “a manutenção da honra familiar” (a alegação). O subtítulo dessa notícia referia-se, novamente, a essa questão de relatividade da honra:Com 14 anos, menina acaba no hospital violentada e sem alternativas. Questão de direitos humanos ou questão honrosa?”

Ademais, explica-se a fundamentação do argumento em relação a relatividade da honra retomando as ideias pré-socráticas acima já listadas, para a fácil compreensão dos leitor e para que não haja espaço para a livre interpretação ou distorção de minhas palavras. Como os sofistas, eu acredito que não há uma única verdade. Não há um único deus ou uma cultura certa ou errada. Além disso, há também espaço para a adaptação das verdades relativas de cada nação visto que são elementos voláteis. Isso, e apenas isso foi a definição por trás do uso de “honra” com aspas, pois um ato honrosa para um brasileiro pode ser diferente de um ato honroso para um neozelandês.

Por fim, acredito sim que todas as culturas devem ser respeitadas e eu e o jornal que represento repudiamos todo e qualquer ato de preconceito, intolerância e xenofobia. A questão em pauta é que leva um estuprador a isenção criminal caso case-se, ou mostre intenção de se casar com a vítima.

Questiona-se se, da mesma forma que tribos indígenas cessaram práticas antropofágicas, e grande partes dos católicos deixaram de praticar ou pregar versos bíblicos que se tornaram incoerentes com os tempos atuais ou odioso a certos grupos de pessoas, seria possível que, algum dia, a honra sobre a qual muitos alegam ser indispensável torne-se antiquada e seja adaptada como inúmeras outras culturas o fizeram. Deve-se levar em conta os fatores culturais, mas deve-se priorizar o bem estar dos povos, especialmente das mulheres que sofrem com altíssimos índices de feminicídio.