Elas arrasam: as mulheres da OEA

Por: Beatrice Helena Marie Schmitke

Durante as reuniões do comitê as mulheres presentes se destacam.

Apesar do comitê da OEA ser formado, majoritariamente, por homens, as mulheres presentes, nas delegações norte-americana, chilena, canadense e venezuelana, mostraram que mesmo em pequeno número são uma força a ser respeitada. Elas comprovaram mais de uma vez seu potencial, especialmente nos momentos de debate não moderado, guiando os colegas com conhecimento de causa em todas as sessões.

A mesa diretora não fica atrás. Com igual número entre homens e mulheres, as diretoras Beatriz Benatti e Camila Cliquet, excepcionalmente jovens, demonstraram enorme maturidade em seus papéis, conduzindo o debate com profissionalismo e espírito de liderança.

Criou-se um ambiente respeitoso no comitê, dando espaço de fala para todos os representantes. A diretora Beatriz comentou, em entrevista concedida ao El País, como o histórico de comitês majoritariamente protagonizados por homens costuma ser bem diferente. Mesmo havendo apenas quatro mulheres entre os doze participantes, talvez por causa de um “tabu econômico”, como a diretora Camila apontou, “as meninas estão conseguindo se destacar”.

A mesa concordou que o respeito mútuo foi uma marca da OEA, muitas vezes por meio de auto regulação dos próprios delegados. Seria impossível trabalhar as questões econômicas da Argentina sem dar voz ativa as mulheres, especialmente tratando-se de um país marcado por desigualdades de gênero, onde homens recebem salários 27% maiores que os das mulheres.

A proatividade das delegadas permite que o comitê não caia no risco de contemplar somente 50% da população argentina em suas resoluções. Por exemplo, ao buscar uma solução para a crise da greve sindical generalizada, lembraram-se de incluir a questão feminina ao sugerir a capacitação profissional para reinserção de mulheres na força de trabalho.

A igualdade em pauta na discussão e o contínuo protagonismo que as participantes da OEA alcançaram demonstram que as coisas estão mudando para melhor.