Situação epidemiológica do Brasil

Por: SPMUN

Essas informações são cuidadosamente levantadas, a nível nacional, pela Secretaria de Vigilância em Saúde. Podemos saber o número atualizado de casos através do painel de monitoramento disponível em: https://covid.saude.gov.br/. Semanalmente esses dados são reunidos num documento chamado de “Boletim Epidemiológico”, que é uma publicação técnico-científica para disseminar informações relevantes e qualificadas para orientar o debate em saúde pública, analisar a situação epidemiológica da pandemia no Brasil e fornecer orientações ao sistema. A última disponível é de 28/04, e você pode conferir as publicações no link: https://www.saude.gov.br/boletins-epidemiologicos .


-Os Estados Unidos da América é o país com maior número de casos. O Brasil é o 11º em número de casos confirmados e o 11º em número absoluto de óbitos. Mas, quando relativizamos o dado para considerar o tamanho do país, o coeficiente de mortalidade (número de óbitos por 1 milhão de habitantes) coloca o Brasil na 37ª posição;
-O Brasil ainda está em uma fase inicial da pandemia em que há aceleração no número de casos confirmados. Não existe comparação direta com a situação epidemiológica de países como Itália e Alemanha, já que o Brasil foi atingido mais tardiamente (a Itália encontra-se em uma etapa mais avançada, com 20 dias de diferença levando em consideração a data que alcançou o 100º caso confirmado);
-O SUS tem um moderno sistema de registro de mortalidade, chamado SIM, que recebe a informação de todos os atestados de óbitos preenchidos pelos médicos e médicas em todo Brasil, que está sendo fortalecido para receber em até 24h a digitação dos óbitos suspeitos ou confirmados por COVID;
-Um grande problema dos dados é a demora para confirmação dos casos. Mesmo com os laboratórios de referência do SUS trabalhando em capacidade máxima e conhecidos por seu trabalho de qualidade, ainda há fila para liberação de resultados e confirmação dos diagnósticos. Até 26 de abril, dos 360 mil exames solicitaria na rede, 62,3% já haviam sido realizados.
-Houve um aumento de 416% no número de casos internados como síndrome respiratória aguda grave (SRAG) nos hospitais em 2020, em comparação com o ano anterior. 18,8% desses casos foram confirmados para COVID-19. De todos os óbitos causados por SRAG, cerca de 3,3 mil foram confirmados para COVID e quase 4 mil outros estão em investigação;
-Com relação à idade, 70% dos casos confirmados de COVID-19 que evoluíram para óbito tinham idade igual ou superior a 60 anos e 67% apresentava pelo menos um fator de risco. A cardiopatia foi a principal comorbidade associada, seguida de diabetes, pneumopatia, doença renal, doença neurológica, imunodepressão, obesidade e asma;
-Aproximadamente 80% dos casos apresentam quadros leves, podendo ser manejados com medidas simples de controle de sintomas. Contudo, tais pessoas transmitem o vírus, necessitando permanecer em isolamento domiciliar por 14 dias para evitar a propagação da doença. Isolamento dos contatos domiciliares também é medida recomendada para reduzir a disseminação do vírus;

Bom, se são maioria de quadros leves precisa de todo esse alarde?
Sim. Uma pandemia requer pensamento coletivo e de solidariedade ao próximo, a quem está numa situação de risco e a quem não pode ficar em casa. Por duas principais razões:
-Jovens, pessoas saudáveis, atletas, sem comorbidades podem ser também transmissores (inclusive assintomáticos), levando a doença para idosos ou pessoas em grupos de risco com as quais convivem em casa, que vão desenvolver as manifestações graves;
-Pessoas mais jovens, se desenvolverem alta carga viral, podem manifestar sintomas respiratórios que necessitarão de internação e, ainda que o risco de óbito seja menor, irão igualmente ocupar leitos, consumir recursos e dividir atenção dos profissionais de saúde.

Estudos matemáticos indicam que num cenário sem mitigação, considerando R0=3 (1 pessoa infectada contaminando outras 3, numa população suscetível), as projeções levariam a 181 milhões de pessoas infectadas no Brasil, com mais de 1 milhão de mortes, quase 6 milhões de internações em UTI, das quais cerca de 1,5 milhão necessitaria de UTI.
Num cenário de rigoroso controle de circulação, com 75% de distanciamento social e conseguindo manter uma taxa de cerca de 425 mortes por semana (0,2 mortes por 100 mil pessoas), ainda estima-se um total de 11,5 milhões de pessoas infectadas, 50 mil mortes, 2,5 milhões de pessoas precisando de internação e 57 mil de UTI (no pico dessa projeção seriam 72 mil precisando de leitos ao mesmo tempo, das quais 15 mil em UTI).
Fonte: Patrick GT Walker, CharlesWhittaker, Oliver Watsonet al.The Global Impact of COVID-19 and Strategies for Mitigation and Suppression.Imperial College London (26-03-2020),doi:https://doi.org/10.25561/77735.

Não caia em Fake News, se oriente por dados oficiais!

Texto por Gabriel Munhoz

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